
Antes era tão fácil.
A confusa inspiração ainda persiste, os sonhos perdidos, o desespero, ainda poderia ser fácil.
Da dor o luxo e a arte, a dor ainda persiste inerte, intacta, indiferente, os olhos permanecem abertos, é possível ver o sangue no alem e aqui, mas ainda o mesmo, coagulado e fedido.
Meu peito arde no frenesi dos batimentos, minhas mãos tremem, contendo o reflexo da excitação, mas a mente ainda vaga, numa paz surda e muda sem compreensão abandonando cautelosamente a razão.A loucura, o estase, e o devir. Apenas o reflexo turvo de um desejo?
Sempre foi fácil, a dor que aperta o nó na garganta e estava tudo ai, bom ou não era a verdade, bom ou não eu gostava, agora a dor dói, cruel, no apagar das luzes da mente, e rodando e círculos eu vomito palavras sem nexo, talvez eu não sirva para isso, mas de qualquer forma está ai, são mais 158 palavras desperdiçadas, na repetição absurda do mesmo mantra que nem a mim pertence.
- Eu falo sobre amor você que não entende.
O desabafo publicado como uma oração. Provavelmente em vão.
Tudo que pensa foge, meus pensamentos são independentes de minha pessoa.
- Não são tão pessoais assim, sei lá diga qualquer coisa.